PROJETOS -
 
Projeto "Rasgando Preconceitos"


Atendimento a vinte travestis, que desenvolvem suas atividades prostitucionais na BR-101 entre as cidades de Florianópolis e Tubarão, porém com residência na cidade de Imbituba-SC.

Nosso trabalho consiste na orientação em relação a Redução de Danos do silicone industrial, aplicação de hormônios, uma vez que noventa por cento utilizou essa técnica e, paralelamente trabalhamos na prevenção de DST/HIV/Aids e drogas, além de encaminhamentos e distribuição semanal de preservativos. Todas as quarta-feiras, acontece o grupo inloco de auto e mútua-ajuda - Trans RP, que visa discutir direitos, deveres, cidadania e questões como DST/HIV/Aids e drogas, postura e ética. Esses encontros estão levando as trans a pensar em se organizarem e criar lideranças pela luta da classe.

 

AÇÕES DE REDUÇÃO DE DANOS DIRIGIDAS A
TRAVESTIS USUÁRIOS DE SILICONE INJETÁVEL

Aplicação do silicone injetável. De um lado agulhas, e do outro algodões nos orifícios que foram vedados após a aplicação por cola super bonder ou esmalte de unha.

O uso de silicone industrial, aplicado por via parenteral, tem sido relatado como freqüente causa de sérios problemas de saúde entre as pessoas que o utilizam, principalmente travestis que adotam esse procedimento para modelar seus corpos.

O volume de silicone aplicado varia de “um copo” a 12 litros. Destes, predominam a aplicação nos quadris, seios, nádegas e rosto. Aparentemente, todos travestis manifestam intenção de se “bombar”.

Abcessos causados por silicone injetável. Antes de aplicar procure saber a procedência do produto. Evite o uso do produto de má qualidade.

Há silicone de vários tipos, desde o médico até o industrial. O silicone líquido é uma substância pastosa semelhante a um gel, que é mais barato. Tanto esse como o silicone médico podem gerar reações tóxicas e alergias a ponto de comprometer a saúde. Segundo informações de travestis “bombadeiras” * , o silicone líquido pode ser adquirido em grandes centros urbanos, como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Nos frascos não existe referência ao fabricante. O silicone usado para cirurgias plásticas vem dentro das próteses. As fábricas que vendem esse produto no Brasil são a IMED (francesa) e a SILIMED (americana).

Entre os danos causados por essa prática estão relatados a infecção pelo HIV e pelo vírus da Hepatite, outras infecções incluindo septicemia, rejeição, deformação da parte do corpo alterada, migração do silicone para outras partes, toxicidade local e sistêmica do produto, abscessos e morte.

Cicatrização de abcessos, após o uso do silicone injetável. Procure saber sobre os riscos da aplicação, e em caso de intercorrências que providências tomar.

A aplicação do silicone é geralmente sem anestesia, extremamente dolorosa, feita por meio de agulhas de uso veterinário, de grosso calibre, sendo necessárias dezenas de perfurações, em dias seguidos, para se obter o resultado desejado. Para vedar as perfurações, as bombadeiras normalmente utilizam cola superbond ou esmalte de unha. Silicone líquido não é recomendado pelos cirurgiões plásticos – sendo o conhecimento dos riscos envolvidos e a higiene necessária. A correção das complicações - entre elas a retirada do silicone – exige intervenção cirúrgica e não tem bom prognóstico, deixando muitas vezes cicatrizes irreversíveis. Assim, a serem evitados maiores danos, é importante estar atento a orientações de higiene e trato médico, para quem vai colocar ou para quem vai aplicar o silicone. Algumas destas podem ser encontradas em folders ilustrativos distribuídos por ONGS, Ministério da Saúde e outras entidades redutoras de danos.

Todos esses fatos não impedem que travestis continuem procurando esse procedimento e que dezenas de óbitos ocorram todos os anos, associados a essa prática.

Travestis após a aplicação do silicone líquido. A aplicação em várias pessoas ao mesmo tempo sem esterilização correta das seringas e agulhas, poderá ocorrer infecções tais como: transmição do vírus da Hepatite ou do vírus HIV/AIDS. Exija que os objetos sejam individuais e só aplique em condições adequadas de higiene e assepsia.

Em nosso pais tramita no senado um projeto de Lei, restringindo o uso da prótese de silicone, condenando totalmente com punição o uso do silicone líquido.


* “bombadeiras” é a expressão utilizada por travestis para mulheres e travestis que aplicam, ou “bombam” silicone em diversas partes do corpo de quem queira se arriscar, a um preço bem mais acessível comparado às cirurgias plásticas convencionais. Sem nenhum conhecimento comprovado em medicina, estas, trabalham sob risco de punição penal, por praticarem o exercício ilegal de medicina, artigo 312, exercício do curandeirismo, artigo 313 e Lesão corporal grave, artigo 129.

Fonte: Manual Redução de Danos, saúde e cidadania, Série Manuais No 42.
Unidas - Associação de Travestis- Unidas na luta pela cidadania - Prefeitura do
Governo e Estado de Sergipe.

O TRAVESTI E O EDUCADOR

O COMPORTAMENTO DO TRAVESTI NO MEIO SOCIAL

ORIENTAÇÃO PARA O TRAVESTI QUE VAI APLICAR SILICONE