No município de Imbituba, dos exames
realizados com pessoas dos mais diversos segmentos
da sociedade, a maior incidência da população
testada e infectada pelo vírus HIV é
usuário de drogas injetáveis - UDI
(70%), segundo estatística do Programa
DST/AIDS de 10 a 15% da população
é portadora do vírus HIV e não
tem conhecimento desta realidade. Cabe ressaltar
que o advento do coquetel, reduziu a mortalidade,
aumentando a sobrevida, mas devido a ausências
de políticas educativas mais constantes,
não diminui a disseminação
do vírus, uma dolorosa realidade em nosso
cotidiano.
A epidemia do HIV/AIDS fez crescer a necessidade
de conjugação de esforços
que possibilitem a implantação de
modelos de ação visando a promoção
integral de seus portadores, bem como práticas
educativas de prevenção ao combate
da mesma a todos os segmentos da sociedade.
O surgimento da AIDS no Brasil coincidiu com
sérias mudanças nas esferas políticas
e econômicas; na transição
de regimes políticos e no recrudescimento
de políticas econômicas de acumulação
de capital em mãos de uma minoria privilegiada.
Estes fatores, aliados às variantes sociais
por eles engendradas, terminaram por servir como
co-fatores propiciadores à rápida
expansão da infecção pelo
HIV na população brasileira de um
modo geral e na população pobre
de um modo especial, evidenciando o estado falimentar
das nossas instituições de saúde,
o que coloca esta doença entre um dos muitos
desafios sociais enfrentados nesse milênio
- Hanan.
O complexo drama econômico-social e cultural
que estão inseridos os portadores do vírus
HIV/AIDS e seus familiares, desencadeia um conjunto
de novas necessidades. A AIDS, atinge sem distinção
ricos e pobres, e o grupo de risco é toda
sociedade em geral, porém, é mais
dramática a situação dos
que se confrontam com a doença sem recursos
mínimos disponíveis.
Sabemos que as desigualdades econômicas
e sociais constituem-se em elementos que contribuem
para maior vulnerabilidade da contaminação
do HIV/AIDS, agregado a outro grande problema,
o uso de drogas, que na ilusão de encontrar
respostas para suas angústias, encontram
na mesma a mais cruel e destrutível das
prisões, e o maior dos problemas, pois
há uma relação íntima
entre o uso de drogas e a contaminação
do HIV/AIDS.
Segundo a Organização Mundial da
Saúde, a estimativa de portadores do vírus
do HIV para 2003 é de 42.000.000 milhões
em todo o mundo. Enquanto que a mesma estimativa
prevê 5.000.000 milhões de novos
casos no planeta. Para o mesmo ano, o número
de mortes deve chegar a 3.100.000 milhões.
| Organização
Mundial da Saúde (dez/2003
) |
|
| |
Total de infectados
– 42.000.000 |
| |
Homens – 38.600.000 |
| |
Mulheres – 19.200.000 |
| |
Crianças – 3.200.000 |
|
| |
Total de novos infectados –
5.000.000 |
| |
Adultos – 4.200.00 |
| |
Mulheres – 2.000.000 |
| |
Crianças – 800.000 |
|
| |
Total de mortes para 2002 –
3.100.000 |
| |
Adultos – 2.500.00 |
| |
Mulheres – 1.200.000 |
| |
Crianças – 610.000 |
Entre a década de 80 e dezembro de 2003,
o Ministério da Saúde apurou 257.780
mil casos de AIDS no Brasil. Desse total, 185.061
mil foram verificados em homens e 72.719 em mulheres.
No ano de 2003, foram notificados 9.495 novos
casos da epidemia e, desses, 6.031 foram verificados
em homens e 3.464 em mulheres, mostrando que,
atualmente, a epidemia cresce mais entre as mulheres.
Outro dado não menos preocupante é
a crescente incidência da aids em relação
à faixa etária de 13 a 19 anos em
adolescentes do sexo feminino. Tal fato é
explicado pelo início precoce da atividade
sexual em relação aos adolescentes
do sexo masculino, normalmente com homens com
maior experiência sexual e mais expostos
aos riscos de contaminação por DST
e pela aids.
Quanto às principais categorias de transmissão
entre os homens, as relações sexuais
respondem por 58% dos casos de aids, com maior
prevalência nas relações heterossexuais,
que é de 25%.
Entre as mulheres, a transmissão do HIV
também se dá, predominantemente,
pela via sexual, 86,2%. As demais formas de transmissão,
em ambos os sexos, de menor peso na epidemia,
são: transfusão, transmissão
materno-infantil ou ignoradas pelos pacientes.
Segundo Boletim Epidemiológico AIDS/2003
do Ministério da Saúde, a categoria
de transmissão sanguínea tem grande
importância quanto a epidemia de AIDS e
sua disseminação pelo país,
por meio da subcategoria de transmissão
entre UDI (Usuário de Drogas Injetáveis).
O ano de 1996 foi o de maior índice de
casos de contaminação por UDI, chegando
a 5.000 infecções. O último
estudo realizado aponta que em 2003 foram registrados
1.000 casos de infecções por UDI
em todo o Brasil. Em Santa Catarina 44% da população
contaminada é através de Usuário
de Drogas Injetáveis (UDI).
As ações de prevenção
a nível nacional são coordenadas
pela Programa Nacional de DST e AIDS, e estão
epidemiologicamente orientadas. Dessa forma, o
Programa, pode reverter e mudar as propostas e
estratégias prevenção. Estas
ações tiveram início em 1983,
quando a Aids ainda não tinha nome.
A área de prevenção está
organizada de maneira a promover atividades de
educação em saúde, campanhas
informativas através da mídia e
intervenções comportamentais que
visam a mudanças substantivas das práticas
e comportamentos sexuais de risco em segmentos
populacionais específicos.
Outras estratégias de prevenção
são os serviços de aconselhamento
e testagem anônima, oferecidos pelos Centros
de Testagem e Aconselhamento (CTA), e o serviço
de informação telefônica gratuita
nacional - Pergunte Aids/Disque Saúde (0800
61 1997), para esclarecimentos sobre assuntos
relacionados à transmissão, prevenção
e tratamento da infecção do HIV
e aids e sobre serviços especializados
em saúde.
Atualmente, o governo brasileiro oferece tratamento
gratuito para todos vivem com HIV no Brasil, o
que corresponde a 135.000 mil pessoas que tem
acesso gratuito aos medicamentos anti-retrovirais
em todos os estados brasileiros. Essas ações
aumentam o tempo de vida de 5 para 58 meses, chegando
a uma redução de 50% das mortes
anuais. Essa política é garantida
pelo decreto presidencial de 1996. Mais de 889
unidades com diferentes níveis de complexidade
fornecem hospitalização, assistência
domiciliar terapêutica e acesso gratuito
a exames de laboratórios como plasma viremia
e contagem de células CD4.
Essa política de prevenção
não reduz apenas os danos físicos
e morais, mas também auxilia na implementação
de novos recursos. Estatísticas do governo
mostram que o pool de esforços contra a
Aids, economizou aos cofres públicos algo
em torno de 2,2 bilhões de dólares
com internações e tratamentos hospitalares,
entre 1996 e 2003. O Brasil também produz
8 dos 15 medicamentos do coquetel, e os genéricos
chegam a custar 80% mais baratos que os medicamentos
de marca.
O Brasil evita 600 mil novas infecções
pelo HIV todos os anos. Em 1992, o Banco Mundial
estima que na virada do século haveria
1,2 milhão de pessoas infectadas pelo HIV
no Brasil. Chegamos ao ano 2000 com menos da metade
estimada.
A vivência diária dessa realidade
ameaçada, a incerteza quanto ao futuro,
o medo da solidão e da morte, o preconceito
e discriminação da família,
amigos, ameaça no emprego, são dificilmente
suportados em qualquer fase da vida. (Marília
Mendonça – Presidente da ISO).
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